segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Eu sei que é Natal, mas falarei do Handebol!

Nunca foi uma moça dos esportes.
Entre muitos gatinhos cantando no peito, tosses secas e produtivas
Tinha quase tudo.
Mas a moça não tinha fôlego.
Médicos falavam que talvez nunca tivesse.
 
Virou a moça dos livros.
Devorava-os.
Nutria por seus cadernos o mesmo amor de um menino por uma bola.
Porque suar e correr não eram para ela.
 
Seus pais resolveram pô-la para nadar.
Diziam ser boa a natação para os de pouca saúde respiratória.
A moça magricela e de barriguinha proeminente fruto de muito xarope Aerolin (R) se animou toda!
Finalmente poderia ser uma moça dos esportes!
 
Aaaah, mas não foi bem assim.
Nadou o tempo suficiente para que pudesse se virar nas águas deste mundo.
Como uma "pegadinha" dos esportes
Desenvolveu uma alergia brava ao cloro da piscina
E no tempo da moça, estas benditas "salinizadas" nem existiam ainda!
 
O tempo foi passando
A moça era dos livros, bonecas e jogos.
E como gostava dos bons resultados,
decidiu ser a "melhor" nisto!
E foi.
 
Mas algo ainda faltava.
Lembra que ela tinha quase tudo?
Então...
Ela cansou de se saciar de esportes pela TV.
Cansou de apenas torcer pelos amigos e conhecidos na quadra da escola.
 
Mas diziam que ela não tinha fôlego.
Ela se sentia sem fôlego.
Ela não acreditava que podia ser dos esportes.
 
Num belo dia, uma grande amiga a encorajou
Uma amiga que sempre foi dos esportes.
A moça se animou:
se já tinha medalhas dos livros, queria também a dos esportes.
E ela que muitas vezes tirou 10 em Educação Física através de trabalhos escritos
Entrou na equipe feminina de Handebol do Colégio!!!
 
Outro "status" melhor ela nunca havia possuído!!
Finalmente fazia parte de uma Equipe.
Fez amigas
Aprendeu que não era boa em tudo,
reconheceu limitações
reconheceu qualidades.
 
Teve um time
Um time em que sentia extremo orgulho em ser a 2ª pivô reserva.
Um time em que todas as moças eram valorizadas e estimuladas pelo seu técnico
O técnico!
O melhor professor que teve na vida!
O professor que a ensinou a se doar 100%, mesmo que soubesse que não seria 100%.
 
Nunca havia se sentido tão feliz!
Tão completa!
A alegria que sentia ao ver seu pai "fugir" do trabalho para ver o seu time jogar, superava os prêmios de melhor aluna da cidade!
E estava feliz sentadinha lá no banco, dando dicas para as amigas do time.
Seu técnico parecia sentir sua felicidade e ainda a fazia completa: colocava-a para jogar!
 
Ganhou medalhas.
Duas lindas medalhas.
As mais importantes de sua vida neste 31 anos.
Medalhas que tem na estante.
Medalhas que costurou no coração.
Medalhas que a completaram.
Medalhas que a fizeram a moça mais feliz do mundo.
 
A moça descobriu com o Handebol entre fintas, "oitos", engajamentos e arremessos que tinha fôlego para tudo que quisesse.
Bastariam:
Um bom técnico e um time.
Mesmo que continuasse a correr sentada e movida a jatos de Aerolin spray!
 
Handebol,
você,
o desconhecido das grandes emissoras de TV,
o "amador",
o de "pouco patrocínio",
o "filho esquecido",
você é o esporte mais especial, importante e transformador da vida de muitas moças.
 
Muito obrigada!
 
A moça que descobriu ter muito fôlego está muito feliz pela conquista das moças da Seleção Feminina de Handebol do Brasil! O melhor time do mundo!!!!

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