quarta-feira, 28 de março de 2012

Procura-se

Encontrar-se.
O encontro.
Procura-se.
Encontrado.
Recompensa.

Tinha colocado a foto dele em todos os lugares.
A melhor foto.
A mais nítida?
Não.
Ele não era nítido.
Talvez uma nitidez de 2MP.
A mais colorida?
Não.
A vida dele não tinha muitas cores.
O melhor olhar?
Sim.
O olhar dele era o que mais a tinha tocado.

Ele tinha um olhar perdido.
Um olhar que desejava ser achado.
Achado pelo desconhecido.
Achado pelo novo que ele sonhava conhecer.
O novo que o assustava.
O novo que o fazia recuar.
O novo que o atraia ao velho.
O velho que o afastava do novo.

Fascinava a ela vê-lo olhar.
Um olhar que nunca foi dela.
E que talvez ela nunca tenha desejado que fosse.
Mas aquele olhar a desafiava.
Um desafio que durou meses.
Meses de olhares.

Muitas vezes se olharam.
E este encontro de olhares os intrigava e divertia.
A visão de ambos não era comum.
O que um via, o outro desconhecia.
Um enxergar tão diferente!
Pareciam viver em mundos próprios e opostos.
Talvez por ela saber o que procurava.
Talvez por ele não saber e mesmo assim procurar.

Desencontro de olhares.
Olhares cúmplices.
Olhares admiráveis.
Olhares inquietos.
Olhares.

Encontro de olhares.
O encontro.
Recompensa!

Nenhum comentário:

Postar um comentário