sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A primeira vez... (2)

... nunca se esquece!
E essa, eu preciso nunca esquecer!
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah (suspiro profundo...)!
Conheci hoje (quinta) o THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO.
Fazia parte do meu momento "turista na cidade onde se mora".
Ainda bem que aquele local foi reformado e reaberto a grandes espetáculos neste ano. É de ficar boquiaberta... O que eu olhava pro teto, nem conto! Adoooooooooro tetos! E a escadaria que cansei de ver em novelas, minisséries globais e livros! Tudo muito bem cuidado e ricamente belo. Sabe o que é entrar num lugar e respirar "espetáculo"? Essa é a sensação!
Eu já estava encantada apenas por estar lá... Mas não fui apenas conhecer esta belíssima obra arquitetônica...
Assisti à Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, sob a regência de Júlio Medaglia (genial!!), na série "Populares Clássicos- Tributo a Adoniram Barbosa e Noel Rosa", com a apresentação de balé com Ana Botafogo ( a sempre primeira bailarina...) e Francisco Timbó e não poderia esquecer da participação mágica do pianista Amilton Godoy.
Foi a minha primeira vez... Minha e da Vivi, que dividiu comigo este momento inesquecível... Obrigada!
Não consigo descrever o meu encanto... Confesso que não imaginava me apaixonar tanto por aquela sensação mágica... Olhos marejados, pêlos arrepiados, respiração suspensa, coração pulsando forte e a mente envolta em lembranças deliciosas...
Na primeira apresentação, que foi sensacional, lembrei da minha infância e dos momentos "clássicos" que os desenhos da Disney me proporcionavam... Adorava assistir àquela série com as grandes obras!! Revi-me aos 6-7 anos, frágil, tímida e cheia de medo nas aulas de ballet e nas apresentações em público... O empenho, os passos em falso, os ensaios, minha mãe me preparando com o coque, a redinha no cabelo, a meia calça, o collant, sapatilha, maquiagem... Senti aquele " frio  no estômago" das primeiras vezes... Lágrima escorre...
Vendo a  Ana Botafogo dançar com a mesma graça e simpatia do início de carreira, percebi como o tempo pode ser relativo se nos empenharmos para isso!
Quando o piano de cauda entrou em cena com Amilton Godoy, arrepiei de novo! Como dedilhar os dedos tão rápidos, precisos e vigorosos? O som do piano... A mistura com a Orquestra... A "deixa" do regente ( que fiquei fã!)...
Mas a parte que mais gostei, sem dúvida alguma, foram os momentos de homenagem a Adoniram e Noel...
Nunca pensei presenciar o "Trem das Onze", letra tão forte e popular, ser "cantado" por acordes tão magníficos! Até separação de sílabas os baixos fizeram! Espetacular!
E para fechar com chave de ouro e encantos mil, o tributo a Noel. O arranjo de Júlio Medaglia para "As Pastorinhas" foi super charmoso e surpreendente... A mistura dos instrumentos, principalmente os de sopro ( adoooooooooooro) e percussão (talvez esteja aqui a minha chance...) foi fenomenal! E de repente, como num passe de mágica, o regente vira as costas para seus músicos e se permite reger a platéia embasbacada... E nisso, um coral se apresenta e canta como se tivesse sido ensaiado pelo regente! Nesta hora, lágrima de novo... Simplesmente apaixonante, simplesmente música!
Talvez sejamos a Orquestra... Deus o regente. Pois na orquestra, cada um tem seu papel e sua vez, todos brilham, todos aguardam sua vez, contemplam o outro, ajudam-se, complementam-se e quando o regente chama todos de uma só vez, a sensação de que "coisa melhor não há" surge. Constata-se que o melhor momento da orquestra é quando todos se empenham juntos. E mesmo naquele momento, enxerga-se cada indivíduo, cada som que produz, ninguém se perde e todos ganham...
Pensei: "Meu Deus, que maravilha estar aqui e participar desta orquestra! Obrigada mais uma vez!" Última lágrima.
Pela primeira vez entrei no Theatro Municipal.
Pela primeira vez assisto a uma Orquestra.
Pela primeira vez assisto a apresentação de um piano de cauda (lindo!).
Pela primeira vez presencio o melhor silêncio contemplativo.
Pela primeira vez sou parte de uma Orquestra.

Primeira vez nunca se esquece! Ainda bem! Hahaha!

Decidi depois disto tudo: assistir mais espetáculos como este, e que além de rock, ainda na barriga, meus filhos (Sim, quero tê-los e pelo menos 2!) ouvirão música clássica!

Simplesmente encantada estou... Apaixonada por música e tudo que ela desperta...

Beijocas apaixonadas!

Para quem não conhece, apresento-os:



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