terça-feira, 28 de agosto de 2012

Caminho do meio

Resolveu andar.
Andava por aí.
Andava tanto, que muitas vezes
Olhou para os lados e não sabia onde estava.
Com quem estava.
Como estava.
Por que estava ali.

Uma necessidade insana de andar.
Como se a inércia de outrora a cutucasse
Algo como: Vá lá, garota!! Olha o que eu te fiz das outras vezes!

Ela queria parar.
Precisava parar.
Observar.
Olhar por onde estava andando.
Com quem estava andando.
Como estava andando.
Se queria estar ali.

Parou.
Sentou na janela e pediu para o bonde parar.
Observou.
Viu que tinha feito uma bela de uma caminhada.
Algumas pedras.
Quase todas removíveis.

Refez as rotas percorridas.
Estudou as trilhas mais difíceis.
A subida mais íngreme.
A ladeira mais longa.
As quedas bobas e as sérias também.

Contou as cicatrizes.
Os ralados de band- aid...
Bem... Não se lembrou dos ralados.
Ralados não deixam cicatrizes.
Cortes cicatrizam.
Orgulho das cicatrizes.
Cicatrizou?
É porque passou.

Passou.
Tinha passado do ponto.
Desceu do bonde.
Olhou ao redor.
Sorriu.
Bem em frente leu em letras garrafais:
"BEM VINDA AO CAMINHO DO MEIO!"

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