Ele estava aberto outra vez.
Mais uma vez.
De certo, não será a última vez.
Ele rola.
De lá pra cá.
De cá pra lá.
Quando tenta parar,
cai.
Caído no chão,
espera pelo próximo chute.
O chute que virará aquele gol.
O maior e mais inesquecível.
Aquele que o estádio inteiro se levanta.
As vozes cantam e o pelo arrepia.
Sim, porque chute bom é chute bom.
Um chute bom é melhor do que ficar lá perdido,
esquecido.
Coração não lida bem com a indiferença.
Esquecimento.
Um coração não pode parar.
É da natureza dele seguir batendo.
Mesmo que seja mais devagar.
Mesmo que saia do ritmo.
O coração batendo reverbera.
O sangue todo pulsa e impulsiona.
Alimenta longe e perto.
Esquenta.
Revigora.
Definitivamente é do coração que a moça gosta.
Parafraseando Alceu, a moça se ilude dizendo já não há mais coração.
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