terça-feira, 15 de novembro de 2011

"O que desejo ainda não tem nome..."

Por mais que eu pareça previsível, cada dia que passa, menos previsível me vejo.
Talvez eu seja como o mar. Por mais que o estudem, "prevejam" como ele irá se comportar, ele, invariavelmente, muda. Posso estar calma, permitindo que você avance. Posso estar revolta, com uma ressaca intensa, e por mais doce que você esteja, eu só queira jogá-lo para bem longe.

Estou lendo o romance de estreia de Clarice Lispector, "Perto do Coração Selvagem". Comprei pelo título. "Coração selvagem" me chamou atenção. Estou nas páginas finais. Gostei de vários trechos. Amei Joana e seus conflitos. Mas o que mais me marcou e traduziu, transcrevo aqui:

"(...) Ando sobre trilhos invisíveis. Prisão, liberdade. São essas as palavras que me ocorrem. No entanto, não são as verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome. - Sou pois um brinquedo a quem dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranquilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou se não morrerei de sede. Talvez não tenha sido feita para as águas puras e largas, mas para as pequenas e de fácil acesso. E talvez meu desejo de outra fonte, essa ânsia que me dá ao rosto um ar de quem caça para se alimentar, talvez essa ânsia seja uma ideia- e nada mais."

E a música, eu resgatei de uma viagem num dia chuvoso e feliz. Saudade da sensação daquele dia. Feliz pelas sensações sentidas e provocadas.


Como sempre... Passar por aqui é muito bom!

Beijocas da moça que não veio do mar, mas que se sente como ele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário